quarta-feira, 7 de maio de 2008

POEMA DO DIA DO SILÊNCIO


Há um silêncio
Que me silencia
Quando silencio em mim mesmo
Quando esqueço o mundo
Me esqueço
Me anulo
Me encontro
E nesse encontro
Me percebo
Como vida pulsante
Como vida vibrante que sou
Nesse mundo
Feito pelo amor
Para o amor
E com amor
Não há sonho
Há realidade na realidade
Sem barulho
Vossa Majestade
O silêncio reina absoluto
E eu sou seu vassalo

André Filho

TERNURA




Eu te peço perdão por te amar de repente



Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos.



Das horas que passei à sombra dos teus gestos



Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos



Das noites que vivi acalentado



Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo



Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente



E posso te dizer que o grande afeto que te deixo



Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas



Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...



É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias



E só te pede que te repouses quieta, muito quieta



E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade



o olhar extático da aurora.






Vinicius de Moraes