quarta-feira, 15 de setembro de 2010


"Eu não sei o que me domina e mesmo assim não penso em me livrar. 
Num fascinio de alma gemea, você em mim constroi o seu lugar..
E assim será a me conduzir... 
como um vento e o barco a vela [...]"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

SEPARAÇÃO

É simples a separação.
Adeus.
Desenlaçado o último abraço, uma pressa de dar contas um ao outro.
Já não há gestos. O derradeiro (impossível) seria não desfazer o abraço.
Pressa de cada um retomar o outro na teia lenta da remembrança.
Não desfazer o abraço. Ficar face encostada ao niagara dos cabelos.
Sobram fotografias, voz no gravador, um bilhete na caixa do correio. Sobra o telefone.
Tensão - telefone. Experimentada. Sofrida.
Tensão - telefone. Possibilidade de voz não póstuma.
No gravador, voz de ontem, de anteontem. De há anos.
Sobra o telefone. Mudo.
Retininte?
Sobrarão as cartas. Sobra a espera.
Na teia lenta da remembrança, retomo-te em memória recente:
na praia de ternura onde nos enrolámos e desenrolámos desesperados de separação.
Sobra a separação.
Alexandre O'Neill

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

...

"Amar é como ter um pássaro pousado no dedo. 
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar..."

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

OS INCAS - A Luz de Machu Picchu

"Anamaya dá alguns passos fora do prédio. O sussurrar da brisa se tornou tão distante quanto o dos dois rios. 'Quando ele partir é que ele voltará para você. Ainda que separados, vocês estarão unidos...' Essas foram as palavras do grande Huayna Capac: será que dizem o que já aconteceu ou o que acontecerá? O sangue de Anamaya ferve com mais perguntas para as quais a profecia não lhe deu respostas. [...] Eles se olham e tudo recomeça, mão na mão, boca na boca, dessa vez com uma lentidão, uma ternura a cada gesto e a cada instante. Ele a beija como se quisesse com os lábios percorrer cada parcela da sua pele. Seu desejo é tão profundo, tão intenso, que ele se torna paciente, cruelmente paciente. Ele continua a beijá-la tão delicadamente quanto pode, a despeito do ardor de suas entranhas, e usa a lentidão de sua descoberta. Ela põe as duas mãos sobre os cabelos dele com tanta força que ele se levanta sobressaltado e cobre a boca de Anamaya com a sua. Ele a beija interminavelmente, beija como se beb água depois de passar por um deserto, beija como se ama, como se respira, como se vive - ele a beija como se nunca tivesse beijado.[...] Mesmo quando afinal se entregam a um sono exausto, o amor os acompanha.[...]
'Ainda que separados, vocês estarão  unidos ...' Por tanto tempo ela procurou por essas palavras sem encontrá-las. E agora que elas estão dentro de si, seria quase capaz de lastimá-las porque elas lhe acorrentam a língua.