Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
Decepção é uma palavra estéril para mim, até que me aconteça...
Depois que aprendi a ser água, a chorar como a chuva só pelo profundo respeito que tenho por mim até me desvencilhar da angústia, aprendi outras coisas e recebi benefícios que vêm junto. Sei que muitas histórias desagradáveis se repetem: não acredito que seja porque o mundo “esteja perdido”, mas porque EU, dentro de tantas outras possibilidades, devo estar condicionada a viver a mesma história: primeiro passo que preciso dar adiante. Depois, seja lá o que o Outro tenha feito, ele o fez porque ME permiti que o fizesse, ou ainda, se é algo de sua índole, a minha sensibilidade falhou quando atraiu esta figura. Ou: por que percebi e aceitei que viesse para a minha vida? Que fantasmas meus esse Outro alimenta? Outro passo adiante. E assim, vou compondo caminhos mais ensolarados.
O mais bonito e mais profundo é quando você consegue se colocar passivamente, sinceramente no lugar do Outro, esquecendo suas dores e seu orgulho por um momento pra tentar entender que, ele simplesmente pode estar condicionado às dificuldades, ao desamparo, ao desculpar-se, a não ser amado. Que ele deu exatamente o que tinha pra dar, que fez a única coisa que sabia fazer e que, ainda, deva sofrer mais do que qualquer pessoa que ele fira, porque não consegue amparar essa criança interna assustada que faz essa bagunça externa só pra chamar a atenção.
Eu detesto justificar os erros de alguém, até porque isto seria uma forma de me sentir superior quando julgo saber o que o Outro sentiu ou pensou quando agiu. É como se eu fosse tão sábia, que se o mundo inteiro falhasse eu teria as respostas...
Eu comecei o texto falando de uma decepção e continuei escrevendo num fôlego só, agora que ia concluir, descobri que quero mesmo é falar do amor:
Sabe quando você conhece o amor a si próprio? Quando sabe que não importa o que lhe façam porque você governa, escolhe, conduz a sua vida? Sabe quando você sabe que uma pessoa se sente bem ao seu lado só porque você sorri sinceramente? Quando você atrai muita gente saudável, dessas que sabem que merecem ser felizes integralmente e se trabalham, se melhoram a cada dia e que não economizam entregas? E que quando estão próximas, trazem à tona o que você tem de mais interessante? Eu sei tanto que imagino que alguém que decepcione voluntária ou involuntariamente por vaidade ou por maldade, certamente o fez por uma condição penosa: de não o saber.
O que dói mesmo nessas circunstâncias não é só o que foi causado: é perceber que a pessoa está vivendo uma escolha que ela fez, que ela está mais disposta a lamentar e a se vingar do mundo a simplesmente perceber a dor profunda que está guardada embaixo de tanta raiva. Que não podemos amaldiçoar a chuva, o vento, o sol: tudo vem ao seu tempo e com seu mais exato por quê. E que talvez não nos alimente naquela nossa expectativa, mas que, em algum lugar, alguém vai beber daquela água, daquela luz, daquilo que pode parecer um grande estrago pra gente, mas que é necessária para beneficiar alguém, algo. Tudo intercalado, oscilando, essencial e UNO...
Marla Queiroz
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