terça-feira, 31 de agosto de 2010

ESPUMAS AO VENTO

Flávio José

Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento
Não é coisa de momento
Raiva passageira
Mania que dá e passa feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar
Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
Sem saber direito aonde ir e o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Mas se eu fosse você, amor, eu voltava pra mim de novo
E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dá uma festa, amor
Na hora que você voltar.

ai ai...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TEATRO MÁGICO

http://www.youtube.com/watch?v=W6igEPWb6Xg

Cuida de Mim

O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli
Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto finjo, enquanto fujo.
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu.
Busquei quem sou
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo, enquanto finjo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

SARAMAGO...tão perfeito!




Discurso na Academia Sueca
(ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando vol tas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre,era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eunoutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.


Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver."

(por José Saramago)
 


domingo, 22 de agosto de 2010

QUER SABER...

TANTAS COISAS NINGUEM ENTENDE EM MIM, SÓ QUE EU TAMBÉM NÃO ENTENDO ALGUMAS!

JÁ VI UMA PESSOA DIZER QUE AMA ACIMA DE TODAS AS COISAS E EM DUAS SEMANAS JÁ AMA DA MESMA MANEIRA OUTRA PESSOA...


É DEVE SER POSSÍVEL MESMO, EU É QUE NÃO ENTENDO!

ENTÃO TATA BOM

terça-feira, 17 de agosto de 2010

MEDLEY DA PORTA - Ana Carolina

A Ana Carolina, sim a cantora, sempre conseguiu c suas músicas dar verdadeiros socos e tapas na minha cara! Fato! E agora vem o Medley da Porta onde ela mistura trechos de músicas perfeitas numa única música...O q eu tenho a dizer? Nessa ela me fudeu bonito!

Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final
Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais
Eu tranco a porta pra todas as mentiras
E a verdade também está lá fora
Agora a porta está trancada
A porta fechada me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu
Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer? Orientação!
Eu vou contar pra todo mundo, eu vou pichar sua rua
Vou bater na sua porta de noite completamente nua
Quem sabe então assim, você repara em mim
Quem sabe então assim, você repara em mim
Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender
A LUA vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você
Vou deixar a rua me levar, Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você
Eu quero te roubar pra mim
Eu que não sei pedir nada
Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino
Agora não vou mais mudar
Minha procura por si só já era o que eu queria achar
Quando você, chama meu nome
Eu que também não sei a onde estou
Pra mim que tudo era saudade, agora seja lá o que for
Eu só quero saber em qual rua minha vida, vai encostar na tua
Eu só quero saber em qual rua minha vida, vai encostar na tua

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aquilo Que Dá No Coração Lenine
Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro

Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar

Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora,
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém

Avassalador...

Avassalador
Chega sem avisar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Aquilo que dá no coração
Que faz perder o ar e a razão
Aquilo reage em cadeia
Incendeia

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Intensidade...

"E é linda.
Mas não é sua beleza estranha e ímpar que o faz cair no incêndio de seu coração. É sua presença.
Como se ele tivesse feito essa longa viagem de Sevilha até aquele vale de um mundo desconhecido para estar diante dela!
Como se Deus, o destino ou o acaso, acumulando as provas em seu caminho, não tivesse tido outra vontade. [...] Diante dessa mulher de outro universo, de olhos de céu bem abertos, de olhar de lago.
A vertigem é tamanha que ele precisa agarrar-se à crina do cavalo para não cair. Precisa cerrar os dentes para não gemer como uma criança apavorada.
Tudo que o envolve não passa de um vazio a separá-lo dela.
A separá-lo da esperança e já do desejo dessa mulher.
Ele não ouve nem vê mais nada. Só ouve o coração e os olhos dela.
Será possível alguém ter saudades de um rosto desde a primeira vez que o vê?
Será possível alguém saber, com um único olhar, que já não poderia respirar sem o ar desse rosto e o calor de seus lábios?
Ele sente frio. E parece que só poderá se aquecer se a tocar."

Texto extraído do livro "Os Incas. A Princesa do Sol" de Antoine B. Daniel

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FODA!

MINHA MISSÃO
Marcelo D2

Quando o tempo fecha
O melhor às vezes
É sentar e esperar passar

Pois nada como levantar e ir a luta
Porque a vida é curta
Não posso bobear

(Refrão)
Pensei mais de uma vez,
Tentando encontrar
Às vezes falta o chão
Isso não vai me derrubar
São pedras no caminho
Em prol da evolução
A tempestade passa
E tudo volta ao seu lugar

A minha missão é vir cantar canções
E provar pra você que esse mundo é seu
E não importa o quanto duro ele for
E se te fez balançar quando ele te bateu
Eu sei que a vida não tá fácil amigo
É levantar a cabeça e seguir em frente
Tu já ouviu o velho ditado que diz,
A vida é simples, simples!
Quem complica é a gente
E a terapia eu sempre fiz com rimas
Bota a raiva pra fora e levanta a auto-estima
Correr na frente sempre e nunca atrás
Orgulho de si mesmo e do trabalho que faz

(Refrão)
Pensei mais de uma vez,
Tentando encontrar
Às vezes falta o chão
Isso não vai me derrubar
São pedras no caminho
Em prol da evolução
A tempestade passa
E tudo volta ao seu lugar

Pensei, pensei, agi, corri, sofri a tempestade
Passa sim e a luz depois volta a brilhar
E essa ilumina o meu caminhar
Eu sei que não é fácil irmão
Nem tudo vem na nossa mão
E sabe quando isso vai mudar, não
Pensa ou
Deixa rolar, vai

(Refrão)
Pensei mais de uma vez,
Tentando encontrar
Às vezes falta o chão
Isso não vai me derrubar
São pedras no caminho
Em prol da evolução
A tempestade passa
E tudo volta ao seu lugar

Eu amo, também odeio
Igual a todos
E não corro mais atrás
Do ouro dos tolos
Nem todo mundo é igualzinho a gente
Se tá perdendo paciência,
Bola pra frente
Se tá bom, eu quero mais
A tristeza eu jogo pra traz
As vezes acho que me afundo na massa
(Está em casa)
Sou da esquadrilha da fumaça, né
A gente não sabe do jeito que vai ser julgado
Se ajoelha, se arrepende, acha que não vai ser cobrado
Por isso que a gente tem uma missão a cumprir
Não tá ligado porra, que que cê tá fazendo aqui?
Escolha atrás de suas inseguranças
Faz o papel de coitado e acha que o mundo vai ter pena
Se tá ruim pode melhorar
Se não melhorar (FODA-SE) mas faça com que valha a pena

(Refrão)
Pensei mais de uma vez,
Tentando encontrar
Às vezes falta o chão
Isso não vai me derrubar
São pedras no caminho
Em prol da evolução
A tempestade passa
E tudo volta ao seu lugar

É isso,
Na veia ainda corre aquele sangue de skatista
Se cair eu levanto, levanto, levanto, levanto, levanto, levanto
Tento de novo até acertar, até acertar
O mundo é nosso parceiro,
o mundo é nosso
Então vai, vai, vai