Eu me perdoo porque em vários momentos, fui injusta com vocês, comigo. Deixei que as minhas expectativas se tornassem exigências e julguei pessoas inteiras por causa de uma única atitude. Eu me perdoo porque na tentativa diária de acertar, cometi inúmeros erros por medo de errar. Fui áspera quando estava assustada e precisava pedir abraço, ajuda. Fui dócil por interesse, por necessidade de ser aceita para minha falsa completude. Eu me perdoo porque, não estando inteira para mim, doei fragmentos do que eu tinha, fui cínica com a minha poesia, falei de amor quando o que eu sentia era carência. Eu me perdoo por tantas vezes, não perdoar tua displicência, invadir tua individualidade, reclamar tua ausência. Eu me perdoo pela falta de compreensão e paciência com as minhas limitações e com as suas. Eu me perdoo por tirar a roupa quando você queria me sentir emocionalmente mais explícita, não apenas me ver nua. Eu me perdoo por ter me anestesiado tanto tempo e desrespeitado minha angústia, negligenciado qualquer aprendizado que trouxesse sofrimento. Eu me perdoo por rasurar com minhas autocríticas, os meus melhores momentos. Eu me perdoo porque sou imperfeita e humana, mas já pretendi a perfeição do Outro, mesmo não havendo importância ou a possibilidade disto. Por querer receber aquilo que nem eu tinha para dar. Por insultar querendo que a mudança fosse alheia porque julgava ser do Outro o medo de transcender, de transmutar.
Eu me perdoo por ter vivido por tantos anos sem me perdoar.
Marla de Queiroz
terça-feira, 22 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Até que ponto é válido lutar por um amor? Esse é o tipo de situação que encosta a gente na parede, com força. E eu tenho certa repulsa por tudo que te trava num ponto, sem permitir passos pra frente, nem pra trás. Só que toda uma cultura nos ensina que o amor é raro e, quando a gente encontra, não deve deixar escapar, de jeito nenhum. Mas se é amor, precisa lutar? É nessa pergunta que eu me prendo. É por essa pergunta, também, que me solto de tanta gente. Porque eu acredito sim no valor inestimável e sorte que é ter um amor. E lutaria, sem pensar duas vezes. Lutaria contra o meu orgulho, meus planos, conselhos dos meus amigos, lutaria contra Deus e o mundo, se preciso. Mas, de maneira nenhuma, seria capaz de lutar contra a pessoa que eu amo. Porque, além de em vão, seria patético gastar minhas forças puxando pra mim, alguém que gasta as forças dele pra se jogar no mundo, tão fora da gente. Aprendi isso ficando fraca de tanto puxar, fiquei mais forte e minha depois de soltar. Nem teria condições de travar uma batalha sozinha, porque se só eu me disponho a lutar, acho que não vale mais a pena a luta, perde o sentido. E eu odeio, dispenso, evito tudo que não vale a pena. Entende? Se o outro consegue ou prefere abrir mão, sem culpa, não há nada que eu possa fazer, de verdade. A certeza de que é melhor assim me invade e entala na garganta, como um nó. É um soco do amor na minha cara. É golpe baixo de quem tava comigo. E eu não luto contra nenhum dos dois, porque não existiria vitória, mesmo que eu ganhasse.
Marcella Fernanda
Marcella Fernanda
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