quarta-feira, 30 de abril de 2008


Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.



Mudo, mas não mudo muito.



A cor das flores não é a mesma ao sol



De que quando uma nuvem passa



Ou quando entra a noite



E as flores são cor da sombra.



Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.



Por isso quando pareço não concordar comigo,



Reparem bem em mim:



Se estava virado para a direita,



Voltei-me agora para a esquerda,



Mas sou sempre eu,



Assente sobre os mesmos pés -




O mesmo sempre,




Graças ao céu e à terra




E aos meus olhos e ouvidos atentos




E à minha clara simplicidade de alma...




Alberto Caeiro


"O Guardador de Rebanhos "

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