
Desapego é a alma se curvar à eternidade e à natureza cíclica de todas as coisas
e não mais querer reter vidas alheias,
momentos históricos e estados da matéria em suas próprias mãos.
E nem poderia fazê-lo!
Pois quanto mais se aperta nas mãos o que já tem seu destino,
mais aquilo lhe escapa entre os dedos.
Andamos juntos, mas cada um em seu próprio passo,
sobre suas próprias pernas,
ocupando espaços distintos, por mais próximos que estejamos.
Desapego é deixar!
Não abandonar, mas deixar ir.
Deixar que seja alçado um vôo curto e incerto
por um lindo e promissor pássaro de longas asas;
sem sentir pena.
Mas observando, como a qualquer outro fato comum do dia-a-dia.
Mesmo depois de ter falado àquele pássaro sobre seu potencial
e até mesmo de tê-lo ensinado a voar.
Da mesma forma, deixar que um pequeno pássaro de asas curtas,
franzino e mais discreto em sua beleza
voe alto, muito alto, como um bailarino dos ventos;
sem superestimá-lo, menosprezando, mesmo que " sem querer " , o resto.
Sem elogiá-lo em demasia, porém, reconhecendo seu mérito,
assim como um conhecedor dos segredos profundos desta peça.
Este deixar livre é também ter a liberdade como companheira.
Desapego é a arte de amar alguém e continuar a ser feliz,
mesmo que este alguém tenha escolhido a casa do infortúnio para habitar.
Desapego é passar por tudo, sem ser tocado por nada, simplesmente tocar,
de forma consciente, sábia e benevolente.
Desapego é criar raízes e fazer história em algum lugar
e ao mesmo tempo, viver num outro mundo;
o mundo de onde podemos ver tudo.
Tudo mesmo... do alto!
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