domingo, 5 de julho de 2009

CONSTATAÇÃO

Há momentos em que estamos entre dois caminhos... E ambos são difíceis de tomar... Um é amar intensamente e em mais nada pensar. O outro é por amor, renunciar. Que sabemos nós, pobres marionetes do destino? Por que temos amor em todo o seu fascínio, quando, talvez vivê-lo, não seja o melhor? Quando a renúncia é o maior sinal de amar? Há forças opostas que te digladiam em um mesmo coração. Temos só dois caminhos a escolher: O terceiro seria covardia. O que fazer, então? Apagar o que é inesquecível? Sonhar e viver na insanidade? Não poder viver porque há convenções, há muito já vazias de sentido? Viver de aparências? Soluções falsas, que agradam aos outros, o que dizem, ou enfrentar com coragem e arriscar a perder tudo, ou nada perder por tanto amar? Marionetes do destino! E o livre-arbítrio, faz parte também das ilusões? Posso ter o direito de causar sofrimento a quem amo para ser feliz? Tenho como deixar de amar? E se assim fizer, não o farei infeliz? A vida enleia-nos em tantos nós... Sinto-me pequena para desembaraçá-los. Assim é certo, não devo ficar entre o quase-amor e o quase-esperar... Enquanto o tempo segue seu caminho, implacável senhor do meu destino. Aonde irei? Embora para longe? Mas o amor, eu levarei comigo. Não adianta fugir...Há que enfrentar com coragem o espírito do caminho... E também não adianta o sofrimento da saudade, que mata aos poucos, bem devagarzinho... Sofrem dois? Sofrem três? sofrem milhares? Por esta razão é que os "Cantares", dizem: "- Ó filhos de Jerusalém, eu vos conjuro, não despertai o amor, até que este o queira..." Sonhos, me deixem descansar! Lembranças, não deixem de me acompanhar, pois são a força e o alimento de viver! Sonhos...Perdão! Podem voar! Deixarei ao tempo a solução tomar... Mas não renego o amor, sem ele vou tombar... É minha força e minha luz, a me amparar.

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